quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Catavento e Girassol... linda demais..letra e música

Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora
Do teu girassol
Entre o escancaro e o contido,
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço,
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio,
Você é litorânea

Quando eu respeito os sinais vejo você de patins
Vindo na contramão
Mas quando ataco de macho,
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entregam,
Nós não ouvimos conselho
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho

Eu sou do Engenho de Dentro e você vive
No vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva,
O inseto e a flor
Um torce pra Mia Farrow,
O outro é Woody Allen
Quando assovio uma seresta
Você dança havaiana

Eu vou de tênis e jeans,
Encontro você demais,
Scarpin,
Soiré
Quando o pau quebra na esquina,
Cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha
E ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho

A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos
Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos

Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho
De Dentro da flor
Eu sinto muita saudade,
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço,
Você é tão espontânea

Sei que um depende do outro só pra ser diferente,
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro, No sufoco,
Somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho

Mas os dois juntos se vão


Leila Pinheira- composição: Guinga- Aldir Blanc

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Layá mandou....e adorei...e postei...

“Por muitos anos, eu escrevia com palavras.
O corpo por trás das palavras estava invisível.
Agora, estou escrevendo com corpos – com meu corpo e os corpos dos dançarinos.
Enfim, não há mais diferença entre escrever com palavras e escrever com corpos.”

Raimund Hoghe

http://www.fid.com.br/2010/espetaculo/palestra-demonstracao-corpo-espaco-musica-2009/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Por Anderson, amigo das palavras, nas palavras...um belo encontro virtual, e enviou fragmento de Caio, introduzido com lindas palavras:

'hoje a tarde comi pastel e tomei caldo de cana. estou lendo caio.essa semana colhi flores duas vezes e olhei para a lua varias vezes. li vinícius de morais para meu sobrinho...' por Anderson


E agora, Caio

"e acho que escrever uma história é uma coisa muito boa. O coração da gente fica mais quentinho e a gente gosta mais das pessoas. A coisa que uma pessoa mais precisa na vida é gostar das outras pessoas e ser gostado, também. Aí, pra ser gostado, a gente escreve histórias."

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Escreví isso há um tempo...mas hoje, depois de assistir "Simplesmente eu, Clarice Lispector" no teatro, me veio, como quando contacto quaquer arte...

"A arte me perde
sabe, assim perder
de ser mesmo, de pensar no que tá fazendo por aqui
pela terra, pelo mundo...
Me perde pela beleza, pela delicadeza,
pela função que a arte tem de tocar...
e toca mesmo
me toca ao ponto de me perder
e ter a sensação de paralizar, e ficar ali
contemplando aquela beleza, ouvindo, lendo
e pensando por que não fazer parte dela ou
como fazer parte...
como fazer arte
como tocar...fazer sentir assim, como sinto
e me entrego e me paraliso diante do belo,
daquilo que toca
das tentativas de transformar sensações,
sentimentos, pensamentos, idéias
em música, teatro, pinturas, danças, filmes...
ações..
É...Ações que me fazem paralisar
contradição...ação
e assim vou...e sonho e penso e quero sempre
fazer/ser mil coisas...
e fico aí
tô aqui..."

e como vale a pena assistir, ouvir, sentir esse espetáculo...

Para Anderson

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Encontrei na paginadodesassossego.blogspot do Gui... Para Wilka.. achei você aqui!

"Efêmera"

Tulipa Ruiz


Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço


Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço


Vou ficar mais um pouquinho, eu vou
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se acontece alguma nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se eu aprendo alguma nessa parte do caminho

domingo, 10 de outubro de 2010

Lendo o jornal de domingo, me encontrei com esse fragmento...

"Escrevo pela necessidade de ter outro corpo. E esse não tem pneumonia, sobrevive à precariedade. A poesia existe porque a vida não basta."


Ferreira Gullar, ao lançar o DVD do seu "Poema Sujo"

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Encontrei essa frase "perdida" em um daqueles emails que todos nós recebemos aos montes e, de vez em quando, abro... dessa vez, valeu por esta...

"Quando nada é certo,
tudo é possível."

Margareth Drabble- escritora

Indicação de Clarice, recitado por Lirinha, de Otto... sempre bom!!

"O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, voce está aí?
Vontade de abraçar o infinito"

Da música "Meu mundo dança", do CD "Certas manhãs acordei de sonhos intranquilos" do Otto...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Inaugurando Guimarães Rosa aqui...

" A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."

Guimarães Rosa

Para Fídias

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Menina amanhã de manhã- de Tom Zé!

"Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado

Menina, olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segura o jogo, atenção de manhã

Menina a felicidade é cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça
Menina a felicidade é cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono
Menina a felicidade é cheia de ano, é cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de ono
Menina a felicidade é cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on
Menina a felicidade é cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó
É cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó"

Tom Zé e Perna

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um belo encontro com um novo amigo, Anderson, trouxe esses fragmentos de Clarice Lispector sobre o escrever...que venham outros!!!

"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Um sopro de vida)

"As vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração."
(Um sopro de vida)

"Faço poesia não porque seja poeta, mas para exercitar minha alma, é o exercício mais profundo do homem." (Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)

Obrigada Anderson!!! Bem vindo!

sábado, 7 de agosto de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Reflexões a partir da leitura de Milan Kundera

Talvez escrever seja também a tentativa de construção de paredes, de volumes do nosso ser...de limites além do corpo, limites na palavra, e para além dela, que é sem limite...


"É por isso que ela quer tão desesperadamente ter em casa esse embrulho de diários e cartas.
Evidentemente, sabe que existe também nos diários uma porção de coisas desagradáveis, dias de insatisfação, de brigas e até mesmo de tédio, mas não se trata disso absolutamente. Ela não quer devolver ao passado sua poesia. Quer lhe devolver seu corpo perdido. O que a impele não é um desejo de beleza.É um desejo de vida.
Pois Tamina está à deriva numa jangada e olha para trás, somente para trás. O volume do seu ser não é senão aquilo que ela vê lá longe, atrás dela. Assim como seu passado se contrai, se desfaz, se dissolve, Tamina encolhe e perde seus contornos.
Ela quer ter esses diários para que a frágil estrutura dos acontecimentos, tal como a construiu em seu diário, possa receber paredes e tornar-se a casa onde ela poderá morar. Porque,se o edifício vacilante das lembranças cai como uma tenda mal levantada, não vai sobrar nada de Tamina a não ser o presente, esse ponto invisível, esse nada que avança lentamente em direção à morte."

O livro do riso e do esquecimento- Milan Kundera

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Me deparei com essa frase num muro da cidade...adorei!

"Meus olhos olham pras coisas sem minha permissão..."