"O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, voce está aí?
Vontade de abraçar o infinito"
Da música "Meu mundo dança", do CD "Certas manhãs acordei de sonhos intranquilos" do Otto...
Fragmentos, estrofes, rimas, músicas, literatura, poesia notáveis aos meus olhos e de outros...
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Inaugurando Guimarães Rosa aqui...
" A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
Guimarães Rosa
Para Fídias
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
Guimarães Rosa
Para Fídias
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Menina amanhã de manhã- de Tom Zé!
"Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado
Menina, olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segura o jogo, atenção de manhã
Menina a felicidade é cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça
Menina a felicidade é cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono
Menina a felicidade é cheia de ano, é cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de ono
Menina a felicidade é cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on
Menina a felicidade é cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó
É cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó"
Tom Zé e Perna
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado
Menina, olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segura o jogo, atenção de manhã
Menina a felicidade é cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça
Menina a felicidade é cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono
Menina a felicidade é cheia de ano, é cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de ono
Menina a felicidade é cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on
Menina a felicidade é cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó
É cheia de a, é cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó"
Tom Zé e Perna
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Um belo encontro com um novo amigo, Anderson, trouxe esses fragmentos de Clarice Lispector sobre o escrever...que venham outros!!!
"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Um sopro de vida)
"As vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração."
(Um sopro de vida)
"Faço poesia não porque seja poeta, mas para exercitar minha alma, é o exercício mais profundo do homem." (Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)
Obrigada Anderson!!! Bem vindo!
"As vezes escrever uma só linha basta para salvar o próprio coração."
(Um sopro de vida)
"Faço poesia não porque seja poeta, mas para exercitar minha alma, é o exercício mais profundo do homem." (Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)
Obrigada Anderson!!! Bem vindo!
sábado, 7 de agosto de 2010
Ouví hoje aquela gravação antiga de Bebel Gilberto cantando com Cazuza, e as agulhas chiando o disco na vitrola.. tão linda a gravação
"Quando a gente conversa
contando casos, besteiras
tanta coisa em comum
deixando escapar segredos..."
contando casos, besteiras
tanta coisa em comum
deixando escapar segredos..."
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Reflexões a partir da leitura de Milan Kundera
Talvez escrever seja também a tentativa de construção de paredes, de volumes do nosso ser...de limites além do corpo, limites na palavra, e para além dela, que é sem limite...
"É por isso que ela quer tão desesperadamente ter em casa esse embrulho de diários e cartas.
Evidentemente, sabe que existe também nos diários uma porção de coisas desagradáveis, dias de insatisfação, de brigas e até mesmo de tédio, mas não se trata disso absolutamente. Ela não quer devolver ao passado sua poesia. Quer lhe devolver seu corpo perdido. O que a impele não é um desejo de beleza.É um desejo de vida.
Pois Tamina está à deriva numa jangada e olha para trás, somente para trás. O volume do seu ser não é senão aquilo que ela vê lá longe, atrás dela. Assim como seu passado se contrai, se desfaz, se dissolve, Tamina encolhe e perde seus contornos.
Ela quer ter esses diários para que a frágil estrutura dos acontecimentos, tal como a construiu em seu diário, possa receber paredes e tornar-se a casa onde ela poderá morar. Porque,se o edifício vacilante das lembranças cai como uma tenda mal levantada, não vai sobrar nada de Tamina a não ser o presente, esse ponto invisível, esse nada que avança lentamente em direção à morte."
O livro do riso e do esquecimento- Milan Kundera
"É por isso que ela quer tão desesperadamente ter em casa esse embrulho de diários e cartas.
Evidentemente, sabe que existe também nos diários uma porção de coisas desagradáveis, dias de insatisfação, de brigas e até mesmo de tédio, mas não se trata disso absolutamente. Ela não quer devolver ao passado sua poesia. Quer lhe devolver seu corpo perdido. O que a impele não é um desejo de beleza.É um desejo de vida.
Pois Tamina está à deriva numa jangada e olha para trás, somente para trás. O volume do seu ser não é senão aquilo que ela vê lá longe, atrás dela. Assim como seu passado se contrai, se desfaz, se dissolve, Tamina encolhe e perde seus contornos.
Ela quer ter esses diários para que a frágil estrutura dos acontecimentos, tal como a construiu em seu diário, possa receber paredes e tornar-se a casa onde ela poderá morar. Porque,se o edifício vacilante das lembranças cai como uma tenda mal levantada, não vai sobrar nada de Tamina a não ser o presente, esse ponto invisível, esse nada que avança lentamente em direção à morte."
O livro do riso e do esquecimento- Milan Kundera
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Me deparei com essa frase num muro da cidade...adorei!
"Meus olhos olham pras coisas sem minha permissão..."
sábado, 19 de junho de 2010
E louvemos a dança...
sábado, 12 de junho de 2010
Até nos comentários dos fragmentos, encontro estes, e bem notáveis aos meus olhos, lindo!... Este de uma especial Clarice, que está sempre por aqui...
"Momento e tempo....inverso proporcional?
O tempo é uma preparação e o momento é uma absorção...Inverso proporcional?
Ou seria tudo igual?
Agora eu busco o tempo. Mas, tem como alcançá-lo?
Preferiria não ter o momento...Mas, tem como evitá-lo?"
Clarice Castanheira
O tempo é uma preparação e o momento é uma absorção...Inverso proporcional?
Ou seria tudo igual?
Agora eu busco o tempo. Mas, tem como alcançá-lo?
Preferiria não ter o momento...Mas, tem como evitá-lo?"
Clarice Castanheira
Pra descontrair, nas palavras de Clarice, agora a irmã, "é quase uma gozação...mas, vi isso no facebook e achei tão propício..." realmente..
"O amor não faz o coração bater mais rápido.
O nome disso é arritmia.
O amor é outra coisa."
O nome disso é arritmia.
O amor é outra coisa."
Layá e seu momento 'Caio Fernado de Abreu'...
"Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
"Encarnações involuntárias"...um conto por inteiro de Clarice Lispector..não conseguí escolher apenas um fragmento deste..
" Às vezes, quando vejo uma pessoa que nunca ví, e tenho algum tempo para observá-la, eu me encarno nela e assim dou um grande passo para conhecê-la. E essa intrusão numa pessoa, qualquer que seja ela, nunca termina pela sua própria auto-acusação: ao nela me encarnar, compreendo-lhe os motivos e perdôo. Preciso é prestar atenção para não me encarnar numa vida perigosa e atraente, e que por isso mesmo eu não queira o retorno a mim mesmo.
Um dia, no avião...ah, meu Deus- implorei- isso não, não quero ser essa missionária!
Mas era inútil. Eu sabia que, por causa de três horas de sua presença, eu por vários dias seria missionária. A magreza e delixadeza extremamente polida de missionária já me haviam tomado. É com curiosidade, algum deslumbramento e cansaço prévio que sucumbo À vida que vou experimentar por uns dias viver. E com alguma apreensão, do ponto-de-vista prático: ando agora muito ocupada demais com os meus deveres e prazeres para poder arcar com o peso dessa vida que não conheço- mas cuja tensão evangelical já começo a sentir. No avião mesmo percebo que já comecei a andar com esse passo de santa leiga: então compreendo como a missionária é paciente, como se apaga com esse passo que mal quer tocar no chão, como se pisar mais forte viesse prejudicar os outros. Agora sou pálida, sem nenhuma pintura nos lábios, tenho o rosto fino e uso aquela espécie de chapéu de missionária.
Quando eu saltar em terra provavelmente já terei esse ar de sofrimento-superado-pela-paz-de-ter-uma-missão. E no meu rosto estará impressa a doçura da esperança moral. Porque sobretudo me tornei toda moral. No entanto quando entrei no avião estava tão sabiamente amoral. Estava, não, estou! Grito-me eu em revolta contra os preconceitos da missionária. Inútil: toda a minha força está sendo usada para eu conseguir ser frágil. Finjo ler uma revista, enquanto ela lê a bíblia.
Vamos ter uma descida curta em terra. O aeromoço distribui chicletes. E ela cora mal o rapaz se aproxima.
Em terra sou uma missionária ao vento do aeroporto, seguro minhas imaginárias saias longas e cinzentas contra o despudor do vento. Entendo, entendo. Entendo-a, ah, como a entendo e ao seu pudor de existir quando está fora das horas em que cumpre sua missão. Acuso, como a missionariazinha, as saias curtas das mulheres, tentação para os homens. E quando não entendo, é com o mesmo fanatismo depurado dessa mulher pálida que facilmente cora à aproximação do rapaz que nos avisa que devemos prosseguir viagem.
Já sei que só daí a dias conseguirei recomeçar enfim integralmente a minha própria vida. Que, quem sabe, talvez nunca tenha sido própria, senão no momento de nascer, e o resto tenha sido própria, senão no momento de nascer, e o resto tenha sido encarnações. Mas não: eu sou uma pessoa. E quando o fantasma de mim mesma me toma- então é um tal encontro de alegria, uma tal festa, que a modo de dizer choramos uma no ombro da outra. Depois enxugamos as lágrimas felizes, meu fantasma se incorpora plenamente em mim, e saímos com alguma altivez por esse mundo afora.
Uma vez, também em viagem, encontrei uma prostituta perfumadíssima que fumava entrefechando os olhos e estes ao mesmo tempo olhavam fixamente um homem que já estava sendo hipnotizado. Passei imediatamente, para melhor compreender, a fumar de olhos entrefechados para o único homem ao alcance de minha visão intencionada. Mas o homem gordo que eu olhava para experimentar e ter a alma da prostituta, o gordo estava mergulhado no New York Times. E meu perfume era discreto demais. Falhou tudo."
Me ví em Clarice nesse conto...não com a intensidade característica de 'Clarices', mas com a curiosidade de conhecer histórias, vidas... e quis compartilhá-lo por inteiro...e não fragmentado...este não!! bom divertir-se com ele até o fim...
Um dia, no avião...ah, meu Deus- implorei- isso não, não quero ser essa missionária!
Mas era inútil. Eu sabia que, por causa de três horas de sua presença, eu por vários dias seria missionária. A magreza e delixadeza extremamente polida de missionária já me haviam tomado. É com curiosidade, algum deslumbramento e cansaço prévio que sucumbo À vida que vou experimentar por uns dias viver. E com alguma apreensão, do ponto-de-vista prático: ando agora muito ocupada demais com os meus deveres e prazeres para poder arcar com o peso dessa vida que não conheço- mas cuja tensão evangelical já começo a sentir. No avião mesmo percebo que já comecei a andar com esse passo de santa leiga: então compreendo como a missionária é paciente, como se apaga com esse passo que mal quer tocar no chão, como se pisar mais forte viesse prejudicar os outros. Agora sou pálida, sem nenhuma pintura nos lábios, tenho o rosto fino e uso aquela espécie de chapéu de missionária.
Quando eu saltar em terra provavelmente já terei esse ar de sofrimento-superado-pela-paz-de-ter-uma-missão. E no meu rosto estará impressa a doçura da esperança moral. Porque sobretudo me tornei toda moral. No entanto quando entrei no avião estava tão sabiamente amoral. Estava, não, estou! Grito-me eu em revolta contra os preconceitos da missionária. Inútil: toda a minha força está sendo usada para eu conseguir ser frágil. Finjo ler uma revista, enquanto ela lê a bíblia.
Vamos ter uma descida curta em terra. O aeromoço distribui chicletes. E ela cora mal o rapaz se aproxima.
Em terra sou uma missionária ao vento do aeroporto, seguro minhas imaginárias saias longas e cinzentas contra o despudor do vento. Entendo, entendo. Entendo-a, ah, como a entendo e ao seu pudor de existir quando está fora das horas em que cumpre sua missão. Acuso, como a missionariazinha, as saias curtas das mulheres, tentação para os homens. E quando não entendo, é com o mesmo fanatismo depurado dessa mulher pálida que facilmente cora à aproximação do rapaz que nos avisa que devemos prosseguir viagem.
Já sei que só daí a dias conseguirei recomeçar enfim integralmente a minha própria vida. Que, quem sabe, talvez nunca tenha sido própria, senão no momento de nascer, e o resto tenha sido própria, senão no momento de nascer, e o resto tenha sido encarnações. Mas não: eu sou uma pessoa. E quando o fantasma de mim mesma me toma- então é um tal encontro de alegria, uma tal festa, que a modo de dizer choramos uma no ombro da outra. Depois enxugamos as lágrimas felizes, meu fantasma se incorpora plenamente em mim, e saímos com alguma altivez por esse mundo afora.
Uma vez, também em viagem, encontrei uma prostituta perfumadíssima que fumava entrefechando os olhos e estes ao mesmo tempo olhavam fixamente um homem que já estava sendo hipnotizado. Passei imediatamente, para melhor compreender, a fumar de olhos entrefechados para o único homem ao alcance de minha visão intencionada. Mas o homem gordo que eu olhava para experimentar e ter a alma da prostituta, o gordo estava mergulhado no New York Times. E meu perfume era discreto demais. Falhou tudo."
Me ví em Clarice nesse conto...não com a intensidade característica de 'Clarices', mas com a curiosidade de conhecer histórias, vidas... e quis compartilhá-lo por inteiro...e não fragmentado...este não!! bom divertir-se com ele até o fim...
Clarice Lispector e sua "predileção" por falar de galinhas e amor...
" A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie."
Clarice Lispector- "Uma história de tanto amor"
Clarice Lispector- "Uma história de tanto amor"
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Do amor...
"Não falo do AMOR romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com AMOR. Chamam de AMOR esse querer escravo, e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR nos domine?
Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação. O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do AMOR depende dessa interferência. A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o AMOR não podemos castrá-lo.
O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR, se estivermos também a devorá-lo.
O AMOR, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o AMOR a navega. Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no AMOR. E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto." Paulinho Moska
Para Clarice e seu momento...
Minha resposta? O AMOR é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação. O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do AMOR depende dessa interferência. A morte do AMOR é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o AMOR não podemos castrá-lo.
O AMOR não é orgânico. Não é meu coração que sente o AMOR. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O AMOR brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR, se estivermos também a devorá-lo.
O AMOR, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o AMOR a navega. Morrer de AMOR é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no AMOR. E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto." Paulinho Moska
Para Clarice e seu momento...
terça-feira, 8 de junho de 2010
Caio Fernando de Abreu em Laysa...
"Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter
consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus
processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A
vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me
alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem
sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e
uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei
enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser
feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas
antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível:
fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não
solucionaram."
consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus
processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A
vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me
alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem
sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e
uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei
enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser
feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas
antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível:
fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não
solucionaram."
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